Alameda dos Cantares
No Bosque de Portugal, às margens do córrego do Tarumã, estende-se a Alameda dos Cantares – um caminho marcado por pilares amarelos contendo poemas de autores brasileiros e portugueses em painéis azulejados.
Inaugurado em 1994 com a presença do então presidente de Portugal, Mário Soares, o bosque inclui ainda oito pilares homenageando os países de língua oficial portuguesa (Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste), servindo de memorial da língua portuguesa em Curitiba.
Os poemas que podem ser apreciados na Alameda dos Cantares encontram-se transcritos abaixo. Relaxe e aprecie a beleza da literatura luso-brasileira.
Minha pátria é a língua portuguesa.
Fernando Pessoa
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Deus quer, O homem sonha, A obra nasce. Deus quis que a terra fosse toda uma, Que o mar unisse, Já não separasse Fernando Pessoa (Portugal) |
| Mar Português
Ó MAR SALGADO, quanto do teu sal Por te cruzarmos, quantas mães choraram, Valeu a pena? Tudo vale a pena Fernando Pessoa (Portugal) |
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Aquela triste e leda madrugada Cheia toda de mágoa e de piedade Enquanto houver no mundo saudade Quero que seja sempre celebrada Luís de Camões (Portugal) |
| As armas e os barões assinalados Que da Ocidental praia Lusitana Por mares nunca de antes navegados Passaram ainda além da Taprobana, Em perigos e guerras esforçados Mais do que prometia a força humana, E entre gente remota edificaram Novo Reino, que tanto sublimaram. Luís de Camões (Portugal) |
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E também as memórias gloriosas D’aqueles Reis que foram dilatando A Fé, o Império e as terras viciosas De África e de Ásia andaram devastando. E aqueles que por obras valerosas Se vão da lei da morte libertando, Cantando espalharei por toda parte, Se tanto me ajudar o engenho e arte. Luís de Camões (Portugal) |
| Feliz de quem passou, por entre a mágoa E as paixões da existência tumultuosa, Inconsciente, como passa a rosa E leve como a sombra sobre a água Antero de Quental (Portugal) |
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Ali na hora da partida, Parte-se o coração! Ai! Como é triste a Vida! Uns ficam… outros vão!… Antônio Nobre (Portugal) |
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Águas claras do rio! Águas do rio, Fugindo sob o meu olhar cansado, Para onde me levais meu vão cuidado? Aonde vais, meu coração vazio? Camilo Pessanha (Portugal) |
| Minha terra tem palmeiras, Onde canta o sabiá; As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá. … Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá; Sem que desfrute os primores Que não encontro por cá; Sem qu’inda aviste as palmeiras, Onde canta o sabiá. Gonçalves Dias (Brasil) |
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Junto desta corrente contemplando Na triste falta estou de um bem que adoro; Aqui entre estas lágrimas, que choro, Vou a minha saudade alimentando. Cláudio Manoel da Costa (Brasil) |
| Um pouco mais de sol - eu era brasa, Um pouco mais de luz - eu era além, Para atingir, faltou-me um golpe de asa… Se ao menos eu permanecesse aquém… Mário de Sá-Carneiro (Portugal) |
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Livro do meu amor, do teu amor, Livro do nosso amor, do nosso peito… Abre-lhe as folhas devagar, com jeito, Como se fossem pétalas de flor. Florbela Espanca (Portugal) |
| Ser como o rio que deflui Silencioso dentro da noite. Não temer as trevas da noite. Se há estrelas nos céus refleti-las. E se os céus se pejam de nuvens, Como o rio as nuvens são água. Refleti-las também sem mágoa Nas profundidades tranquilas Manuel Bandeira (Brasil) |
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Pus-me a cantar minha pena Com uma palavra tão doce, De maneira tão serena, Que até Deus pensou que fosse Felicidade – e não pena. Cecília Meireles (Brasil) |
| Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada E triste, e triste e fatigado eu vinha. Tinhas a alma de sonhos povoada E a alma de sonhos povoada eu tinha… E paramos de súbito na estrada Hoje, segues de novo… Na partida E eu, solitário, volto a face e tremo, Olavo Bilac (Brasil) |
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Para ser grande, sê inteiro, nada Teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és No mínimo que fazes. Assim em cada lago a lua toda Brilha, porque alta vive. Fernando Pessoa (Portugal) |
| Gosto de ouvir o português do Brasil Onde as palavras recuperam sua substância total Concretas como frutos, nítidas como pássaros Gosto de ouvir a palavra com suas sílabas todas Sem perder sequer um quinto de vogal Quando o poeta brasileiro diz “coqueiro”, O coqueiro fica muito mais vegetal. Sophia de Mello Breyner (Portugal) |
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O amor é uma companhia. Já não sei andar só pelos caminhos, Porque já não posso andar só. Fernando Pessoa (Portugal) |
| A tarde jogou os seus sete véus luminosos Sobre a montanha E ficou toda nua dançando Com sombras de crepúsculo A escorrerem-lhe, suaves, pela pele dourada… …E ficou toda nua dançando Na campina Ao som da harpa encantada de silêncio… Tasso da Silveira (Brasil) |
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Ser grande é compartir o choro largo Do mundo: agindo de tal forma, A deixar para o fraco uma lei e uma norma E um doce beijo em cada lábio amargo. Mário de Andrade (Brasil) |
| Eu preparo uma canção Em que minha mãe se reconheça, Todas as mães se reconheçam, E que fale como dois olhos.Caminho por uma rua Que passa em muitos países. Se não me veem, eu vejo E saúdo velhos amigos … Eu preparo uma canção Que faça acordar os homens E adormecer as crianças. Carlos Drummond de Andrade (Brasil) |
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Com as últimas águas Partem as árvores Um sorriso é então todo o Jardim. Eugênio de Andrade (Portugal) |
| AO BRAÇO DO MESMO MENINO JESUS QUANDO APARECEU
O todo sem a parte não é todo, Gregório de Matos (Brasil) |
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Saudade! Gosto amargo de infelizes Delicioso pungir de acerbo espinho, Com dor que estás repassando o íntimo peito Com dor que os seios d’alma dilacera, - Mas dor que tem prazeres – Saudade! Almeida Garrett (Portugal) |

























